Acordo comercial reposiciona exportações do RN dentro do mercado europeu
A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ampliou as expectativas do setor produtivo do Rio Grande do Norte em relação à abertura de novos mercados internacionais para produtos do estado. O tratado, que prevê redução gradual de tarifas de importação entre os blocos ao longo dos próximos anos, passou a ser visto por empresários e entidades econômicas como oportunidade de expansão das exportações potiguares, especialmente nos setores de fruticultura e pesca.
O acordo prevê a retirada progressiva de tarifas sobre produtos brasileiros destinados ao mercado europeu, um dos principais polos consumidores globais de alimentos e commodities agrícolas. Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Brasil poderá ampliar em até US$ 1 bilhão as exportações já no primeiro ano de vigência do tratado, além de reduzir custos tarifários em bilhões de dólares ao longo da implementação completa do acordo.
A mudança altera o posicionamento competitivo de setores exportadores brasileiros ao permitir maior inserção em um mercado historicamente marcado por barreiras tarifárias elevadas e exigências rigorosas de acesso.
Fruticultura aparece como principal setor beneficiado no estado
No Rio Grande do Norte, a maior expectativa de crescimento está concentrada na fruticultura irrigada, atividade fortemente voltada ao mercado externo. Produtos como melão e melancia, exportados principalmente para países europeus como Holanda e Espanha, podem ganhar competitividade com a redução gradual dos custos tarifários previstos no acordo.
O setor avalia que o novo cenário pode ampliar volume exportado e fortalecer presença potiguar no mercado europeu, especialmente em segmentos onde o estado já possui tradição logística e produtiva consolidada. A fruticultura do RN depende fortemente das exportações e mantém parte significativa da cadeia econômica vinculada ao desempenho internacional desses produtos.
A redução de tarifas funciona, nesse contexto, como mecanismo de ampliação de margem competitiva em um ambiente internacional onde preço, logística e certificações sanitárias influenciam diretamente o acesso aos compradores europeus.
Pesca tenta recuperar espaço perdido após restrições sanitárias
Além da fruticultura, o setor pesqueiro acompanha o avanço do acordo como possibilidade de retomada gradual das exportações para a União Europeia. As vendas brasileiras de pescado para o bloco europeu estão suspensas desde 2017 devido a questões sanitárias, mas representantes do setor avaliam que o novo ambiente de negociação pode favorecer futuras reaproximações comerciais.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que o mercado europeu continua sendo estratégico para o segmento pesqueiro brasileiro e destacou que parte das discussões atuais envolve justamente compensações tarifárias e reconstrução de canais comerciais interrompidos nos últimos anos.
A eventual retomada das exportações dependerá não apenas do acordo comercial em si, mas também da capacidade brasileira de atender exigências sanitárias impostas pelo bloco europeu, consideradas entre as mais rigorosas do mercado internacional.
Tratado amplia oportunidades, mas impõe exigências ambientais e produtivas
Apesar da expectativa positiva entre exportadores, o acordo também aumenta a pressão sobre empresas brasileiras em relação a padrões ambientais, rastreabilidade e exigências sanitárias. A União Europeia mantém regras rígidas para importação de produtos agrícolas e industriais, o que exigirá adaptação contínua de cadeias produtivas locais.
Ao mesmo tempo em que reduz tarifas para produtos sul-americanos, o tratado também amplia a entrada de mercadorias europeias no mercado brasileiro, elevando a concorrência em diferentes setores industriais. Isso significa que os ganhos comerciais dependerão não apenas da abertura de mercado, mas da capacidade de adaptação competitiva das empresas nacionais.
Esse cenário transforma o acordo em uma disputa simultânea entre expansão de oportunidades externas e aumento da pressão competitiva interna sobre segmentos produtivos brasileiros.
Setor produtivo avalia que impacto dependerá da capacidade de adaptação
Representantes empresariais afirmam que os efeitos positivos do tratado não ocorrerão automaticamente. Segundo Roberto Serquiz, a abertura de mercado exige construção gradual de relações comerciais, adaptação logística e fortalecimento institucional das cadeias exportadoras locais.
A avaliação predominante entre entidades econômicas é que o Rio Grande do Norte possui potencial para ampliar participação no comércio internacional, mas dependerá da capacidade de atender exigências técnicas, ambientais e operacionais do mercado europeu. Isso inclui desde infraestrutura logística até certificações internacionais e adequação sanitária contínua.
O acordo entre Mercosul e União Europeia reposiciona o RN dentro de um mercado global mais integrado, mas também mais competitivo, em que expansão comercial dependerá menos da assinatura do tratado e mais da capacidade local de transformar abertura diplomática em presença econômica efetiva.

































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