“Abençoados são os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 05:09)
Poucas frases da Bíblia são tão curtas e, ao mesmo tempo, tão devastadoras quanto essa. São apenas 11 palavras capazes de desmontar séculos inteiros de vaidade religiosa, disputa ideológica, fanatismo político e arrogância espiritual construída em “nome de Deus”. E talvez exatamente por isso ela seja tão frequentemente ignorada até por aqueles que mais falam sobre cristianismo.
O Sermão da Montanha não foi um comentário humano sobre Deus. Foi o próprio Cristo estabelecendo, sem intermediários, o padrão divino para a vida humana. Não há ali espaço para marketing religioso, construção institucional ou disputa por autoridade espiritual. Jesus não estava fundando uma torcida organizada celestial, mas sim revelando o caráter do Reino de Deus.
E é impossível ignorar o contraste entre esse padrão e o comportamento de parte do cristianismo contemporâneo.
- Porque Jesus não disse: “Abençoados são os mais rígidos”;
- Também não disse: “Abençoados são os que nunca erram”;
- Muito menos: “Abençoados são os que pertencem à instituição correta.”
Ele não vinculou a condição de “filhos de Deus” à frequência em cultos, à estética religiosa, à filiação denominacional, à posição política, à performance moral pública ou à capacidade de parecer santo diante dos outros. O critério apresentado por Cristo foi outro: ser pacificador. E isso deveria produzir um enorme desconforto coletivo.
Vivemos na chamada era da informação e nunca foi tão fácil acessar a Bíblia. Segundo o Guinness World Records, ela é o livro mais distribuído da história humana, com bilhões de exemplares espalhados pelo planeta, além de também figurar como o mais traduzido de todos os tempos, alcançando milhares de idiomas e dialetos. Hoje ela cabe dentro de um celular e pode ser lida gratuitamente através de aplicativos, sites, vídeos e áudios. Ainda assim, na contramão de qualquer lógica, como explicar tanta agressividade travestida de espiritualidade? Eis um mistério a ser adicionado a tantos outros envolvendo o desatino humano diante do óbvio.
Isso revela um problema profundamente humano: conhecer versículos não significa necessariamente compreender Cristo.
Há pessoas que ouvem sermões todos os domingos e ainda assim transformam a fé em instrumento de hostilidade permanente. Há quem fale de Jesus enquanto alimenta ódio constante, humilha adversários, celebra conflitos e trata violência verbal como coragem espiritual. Alguns chegam até a ridicularizar a ideia de um “Jesus paz e amor”, como se a mansidão ensinada pelo próprio Filho de Deus fosse ingenuidade emocional e não atributo central do Evangelho.
Mas o problema dessa zombaria é simples: ela não confronta homens, mas o próprio Cristo. Porque foi Ele quem declarou:
“Abençoados são os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 05:09)
O cristianismo moderno frequentemente tenta transformar “ser cristão” em identidade automática, quase burocrática, bastando se autodeclarar pertencente ao grupo. Porém, nas palavras de Jesus, o discipulado nunca foi certificado institucional, mas sim transformação prática de caráter. Por isso Cristo afirma em Lucas 06:40:
“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem-instruído será como o seu mestre.”
A pergunta inevitável então surge: como alguém pode afirmar seguir Jesus enquanto despreza justamente aquilo que mais marcou a vida dEle? Cristo confrontava sem humilhar, corrigia sem transformar pessoas em inimigos existenciais. Mesmo diante da violência, da traição e da injustiça, recusou transformar seu ministério em máquina de destruição humana.
E mais do que ensinar, Ele viveu isso. Talvez por essa razão o próprio Jesus tenha feito uma das perguntas mais desconfortáveis registradas nos Evangelhos:
“Por que vocês me chamam ‘Senhor! Senhor!’, se não fazem o que eu digo?” (Lucas 06:46)
Essa frase desmonta uma das maiores ilusões religiosas da humanidade: a ideia de que devoção verbal substitui obediência prática. Ou seja:
- Não basta admirar Cristo;
- Não basta cantar sobre Cristo;
- Não basta defender Cristo na internet;
- O Evangelho exige parecer-se com Ele.
E essa percepção também foi compreendida e difundida pelos apóstolos. João resume isso de maneira direta e impossível de relativizar:
“Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou.” (1ª João 02:06)
Perceba a profundidade disso: o apóstolo não está falando sobre aparência religiosa, mas sobre caminhada, conduta e postura. Em outras palavras: a nossa forma de existir no mundo.
Ser cristão nunca significou perfeição absoluta, pois senão o amor de Deus não seria incondicional e a graça (favor imerecido) apregoada por Cristo perderia o sentido. Antes significa a disposição contínua de se parecer com o Mestre.
E talvez aqui esteja uma das maiores tragédias espirituais do nosso tempo: muitos querem carregar o nome de Cristo sem carregar o caráter de Cristo…
- Querem autoridade sem mansidão;
- Influência sem misericórdia;
- Poder sem amor;
- Confronto sem reconciliação.
Mas Jesus não ofereceu nenhuma dessas possibilidades.
Ao declarar que os pacificadores seriam chamados filhos de Deus, Cristo estabeleceu uma condição espiritual profundamente prática. Sim, pois o pacificador não é alguém passivo diante do mal, nem que vive fugindo de conflitos necessários. Ele é aquele que se recusa a transformar o ódio em identidade permanente e entende que destruir pessoas nunca foi o centro da mensagem do Evangelho.
Isso se torna ainda mais urgente em uma época onde quase tudo estimula confronto contínuo. Redes sociais recompensam agressividade. Algoritmos impulsionam indignação. A polarização transforma seres humanos em caricaturas ideológicas. E nesse ambiente, até a religião corre o risco de abandonar o espírito de Cristo para se adaptar à lógica da guerra permanente.
Só que o Evangelho não foi construído sobre a celebração do conflito, mas sim sobre o da reconciliação. Jesus não morreu apenas para criar religiosos barulhentos e aguerridos, mas sim para reconciliar homens com Deus — e homens entre si. Vejamos:
“Da mesma forma, há mais alegria no céu por causa do pecador perdido que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam se arrepender.” (Lucas 15:07)
Por isso, talvez esteja na hora de o cristianismo contemporâneo voltar a ouvir com honestidade aquelas 11 palavras de Mateus 05:09. Porque elas continuam ali: simples, diretas, sem ambiguidades.
“Abençoados são os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 05:09)
E talvez a pergunta mais difícil a ser feita em nossos dias não seja se acreditamos ou não em Jesus, mas sim sobre o quanto ainda estamos dispostos a nos parecer com Ele. Pois o parâmetro vem do próprio Cristo, não de terceiros, nem de nós mesmos, exigindo renúncia de tudo o que ultrapassa a Sua mansidão humilde.
“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para a alma. Pois o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11: 29-30)

































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