Livro cult da literatura potiguar retorna em nova edição
A novela Crônica da Banalidade, obra de estreia do jornalista e escritor potiguar Carlos de Souza, ganhará nova edição no próximo dia 16 de maio pelo Sebo Vermelho Edições, em Natal. Publicado originalmente em 1988, o livro ganha nova edição após décadas consolidado como obra cult da literatura potiguar.
O tempo transformou os exemplares antigos em raridades e ajudou a consolidar a obra como uma das principais rupturas estéticas da literatura produzida no Rio Grande do Norte a partir dos anos 1980.
A nova edição chega revisada, com novo projeto gráfico e acompanhada de textos críticos, entrevistas e materiais complementares sobre a trajetória do autor e o impacto da obra na literatura contemporânea potiguar. O lançamento ocorrerá no Sebo Vermelho, no Centro de Natal, reunindo também ações culturais, discotecagem e edição comemorativa ligada à memória do escritor.
Carlão rompeu com a tradição regionalista da prosa potiguar
Misturando autoficção, fluxo de consciência e forte influência da cultura beat, Crônica da Banalidade acompanha um músico frustrado com a vida noturna tocando em churrascarias, que decide abandonar tudo em busca de uma ruptura existencial rumo a uma grande metrópole. A tentativa de fuga, porém, mergulha o personagem em uma experiência marcada por solidão, deslocamento urbano e colapso psicológico.
Na época do lançamento, o livro chamou atenção justamente por se afastar da tradição regionalista predominante na literatura potiguar até então. Em vez da memória rural e das narrativas sertanejas que dominaram parte importante da produção local durante décadas, Carlão deslocava a literatura para ambientes urbanos, subjetivos e fragmentados, aproximando sua escrita de experiências existenciais e pós-modernas pouco exploradas na prosa potiguar daquele período.
A pesquisadora Cellina Muniz aponta que a obra ajudou a abrir espaço para uma literatura mais experimental no estado, ao lado de autores que passaram a explorar novas formas narrativas distantes do regionalismo clássico.
Escrita urbana e experimental manteve o livro vivo por décadas
Mesmo fora de catálogo durante décadas, Crônica da Banalidade permaneceu circulando entre leitores, pesquisadores e colecionadores, consolidando uma reputação quase mítica dentro dos círculos literários potiguares. A permanência da obra ocorreu menos pelo mercado editorial e mais pela memória afetiva e crítica construída em torno do livro.
O crítico Manoel Onofre Jr., um dos primeiros a escrever sobre a novela, incluiu Carlos de Souza entre os principais ficcionistas potiguares ao destacar a combinação entre densidade filosófica, experimentalismo e prosa poética presentes na obra.
Já o crítico Thiago Gonzaga define o livro como um “clássico cult” local e aponta que a própria escolha do título já antecipava uma estética centrada na observação crítica do cotidiano aparentemente banal, transformando experiências comuns em matéria literária carregada de tensão existencial.
Carlão deixou marca no jornalismo e na literatura potiguar
Além de Crônica da Banalidade, o autor publicou ainda obras como Cachorro Magro, É Tudo Fogo de Palha, Cidade dos Reis e Urbi. Sua escrita ficou marcada pela mistura entre crítica urbana, intensidade emocional e experimentação narrativa, características que ajudaram a consolidar sua presença como uma das vozes mais singulares da literatura contemporânea produzida no estado.
Reedição reacende debate sobre memória cultural no RN
O retorno de Crônica da Banalidade também evidencia uma fragilidade recorrente da produção literária fora dos grandes centros editoriais brasileiros. Parte importante da literatura potiguar produzida nas décadas de 1980 e 1990 permanece inacessível para novos leitores, sobrevivendo apenas em sebos, bibliotecas pessoais e acervos universitários.
Nesse cenário, reeditar obras deixa de ser apenas uma operação editorial. Passa também a funcionar como preservação de memória cultural e recuperação de autores que ajudaram a redefinir a literatura produzida no estado.
A nova edição organizada pelo Sebo Vermelho atua justamente nesse espaço: resgata um livro que permaneceu vivo mesmo distante do mercado tradicional e devolve ao público contemporâneo uma das obras mais inquietas e experimentais já produzidas pela literatura potiguar.
Serviço:
Evento: lançamento de “Crônica da Banalidade” — 2ª edição
📅Data: 16 de maio de 2026.
🕙Horário: A partir das 10h.
📍Local: Sebo Vermelho – Av. Rio Branco, 705 – Cidade Alta, Natal – RN
Detalhes: o evento terá uma programação cultural, incluindo discotecagem de Fernandinho, “o Implacável dos Vinis”, além de churrasquinho e cerveja gelada. O livro possui 144 páginas e será vendido por R$ 60. Também haverá um kit especial com sacola ecológica temática inspirada na obra e arte assinada por Edmar Viana. Na pré-venda, o kit custa R$ 80; no dia do evento, será vendido por R$ 100.

































![[VÍDEO] Sete suspeitos são presos em operação contra tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa no RN](https://www.jolrn.com.br/wp-content/uploads/2026/05/capa-portal-81-830x468-1-360x180.png)




























![[VÍDEO] Incêndio atinge Circo do Tirulipa ao lado da Arena das Dunas em Natal](https://www.jolrn.com.br/wp-content/uploads/2026/05/IMG_6190-75x75.jpeg)



![[VÍDEO] Sete suspeitos são presos em operação contra tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa no RN](https://www.jolrn.com.br/wp-content/uploads/2026/05/capa-portal-81-830x468-1-120x86.png)


Comentários