O júri do policial militar Pedro Inácio Araújo, acusado de ter matado a jovem Zaira Dantas Silveira Cruz em 2019, foi remarcado para 1º de novembro deste ano. A informação foi confirmada pela advogada da família da vítima e também pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).
Um primeiro júri ocorreu em junho deste ano, mas foi cancelado após a defesa do réu ter abandonado o plenário do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. Os advogados do réu alegaram, à época, cerceamento de defesa, após terem perguntas indeferidas pelo presidente da sessão e que julgavam imprescindíveis para sua tese. Por outro lado, o Ministério Público alegou que tais perguntas poderiam ferir a dignidade da vítima, o que foi acatado pelo magistrado.
Além de remarcar o julgamento, a Justiça também negou o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Pedro Inácio. Nas redes sociais, a advogada da família de Zaira Cruz, Kalina Leila Medeiros, afirmou que “conceder prisão domiciliar a um réu acusado de feminicídio, às vésperas do julgamento e após protagonizar um evidente abandono de plenário, seria transformar o luto de uma mãe em escárnio — e a justiça em farsa”.
A advogada classificou a negativa da prisão domiciliar como correta e indispensável.
“É o Estado reafirmando que a vida de Zaira Cruz não será relativizada. Que sua história, interrompida com crueldade, não será sepultada por estratégias processuais.”
Caso Zaira
Zaira Dantas Silveira Cruz, de 22 anos, era natural de Currais Novos mas morava em Mossoró, onde estudava Engenharia Química na Ufersa. No dia 2 de março de 2019, foi encontrada morta no sábado de Carnaval em Caicó dentro do carro do policial militar Pedro Inácio Araújo.
Segundo as investigações, entre 2h14 e 3h daquele dia, os dois estavam dentro do carro, quando Pedro Inácio tentou ter relações sexuais com a vítima, e ela negou. Diante da negativa, o PM a estupra e depois a mata.
Inicialmente, o processo tramitou na 3ª Vara da Comarca de Caicó, mas a defesa solicitou e obteve a mudança para Natal, alegando dúvidas sobre a imparcialidade do júri na região do Seridó, devido à repercussão do caso.
Inicialmente, o julgamento estava previsto para durar até 6 de junho, com 22 depoimentos previstos, entre eles o do réu e das testemunhas de defesa e de acusação. O processo conta com sete mil laudas.
Imagem: Reprodução
Fonte: Agência Saiba Mais










































































