Estudantes convocam novo ato por assistência estudantil na UFRN
Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) convocaram uma nova mobilização para a próxima segunda-feira (11) em defesa da assistência estudantil e contra o que classificam como agravamento das condições de permanência acadêmica dentro da instituição. A Assembleia Geral está marcada para as 17h, em frente à Reitoria da universidade, no campus central de Natal.
O ato ocorre em meio a denúncias envolvendo limitação de auxílios estudantis, precarização das residências universitárias, deficiência de acessibilidade, falta de intérpretes de Libras e dificuldades estruturais no Restaurante Universitário (RU). A mobilização foi convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) com o slogan “Nenhum estudante a menos”.
A nova manifestação amplia uma tensão que vem crescendo dentro da universidade e que ultrapassa reivindicações pontuais. O centro do conflito é a própria capacidade de permanência de estudantes pobres, pessoas com deficiência e moradores das residências universitárias em uma instituição cada vez mais pressionada por restrições orçamentárias e aumento da demanda social.
Abaixo-assinado reuniu cerca de 2 mil assinaturas
A convocação do ato ocorre poucos dias após a entrega de um abaixo-assinado com aproximadamente 2 mil assinaturas reunidas por estudantes, técnicos administrativos e residentes universitários. O documento foi encaminhado à administração da UFRN cobrando ampliação dos auxílios, contratação de professores e intérpretes de Libras, melhoria do atendimento psicológico e manutenção das políticas de permanência estudantil.
Segundo os organizadores, o principal problema atualmente é o acesso limitado às políticas de assistência estudantil diante da alta demanda de alunos em situação de vulnerabilidade econômica. A estudante Arara Amazonas, integrante da gestão do DCE e representante das residências universitárias, afirmou que o número de estudantes necessitando de apoio supera a capacidade atual da universidade.
O cenário revela uma contradição crescente dentro das universidades federais brasileiras: enquanto a ampliação do acesso permitiu entrada de grupos historicamente excluídos do ensino superior, as estruturas de permanência passaram a enfrentar dificuldades para acompanhar essa expansão social.
Moradores denunciam precarização das residências universitárias
Entre as denúncias apresentadas pelos estudantes estão problemas estruturais nas residências universitárias da UFRN. Segundo os relatos, há cozinhas funcionando sem estrutura adequada, utilização compartilhada insuficiente de equipamentos básicos e dificuldades ligadas à manutenção dos espaços coletivos.
Os estudantes também reclamam da situação do transporte circular interno da universidade, descrito como constantemente lotado e sem reajuste no auxílio-transporte há anos. A combinação entre custo de vida elevado e limitação dos auxílios amplia a pressão financeira sobre estudantes de baixa renda que dependem da permanência universitária para continuar frequentando os cursos.
Nesse contexto, a assistência estudantil deixa de funcionar apenas como política complementar e passa a ser tratada pelos próprios alunos como condição básica de sobrevivência acadêmica.
Falta de intérpretes afeta estudantes surdos na universidade
Outro eixo central das críticas envolve a acessibilidade dentro da instituição, especialmente no curso de Letras Libras. Os estudantes denunciam ausência de intérpretes, cancelamento de disciplinas e limitação da participação acadêmica de alunos surdos devido à insuficiência de profissionais especializados.
Segundo Arara Amazonas, a situação já teria afetado mais de 16 disciplinas neste ano. Ela afirma que o problema não se restringe ao curso de Letras Libras, mas compromete a participação de estudantes surdos em diferentes departamentos e atividades universitárias.
A denúncia expõe uma fragilidade estrutural frequente nas universidades públicas brasileiras: a ampliação formal do acesso de pessoas com deficiência sem expansão proporcional das estruturas permanentes de acessibilidade e inclusão acadêmica.
Estudantes criticam respostas da administração universitária
Os organizadores também criticam a postura da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proae) durante reunião realizada na última quarta-feira (6). Segundo os estudantes, as respostas apresentadas pela administração foram consideradas insuficientes diante das reivindicações acumuladas.
Em nota enviada ao portal original, a Reitoria informou que realizou reunião com a Proae e com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) para avaliar as demandas apresentadas pelos estudantes. A universidade declarou que os setores responsáveis estudam alternativas para tentar solucionar os problemas apontados durante as mobilizações recentes.
Mesmo assim, os estudantes afirmam que há desgaste crescente na relação com a gestão universitária e defendem medidas estruturais permanentes, incluindo contratação efetiva de profissionais e ampliação do orçamento destinado à assistência estudantil.
Crise expõe pressão social sobre universidades federais
A mobilização da UFRN reflete um fenômeno nacional observado em diferentes universidades federais após os ciclos de expansão do ensino superior público nas últimas décadas. O aumento do número de estudantes pobres, cotistas, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência transformou a permanência estudantil em eixo central do funcionamento universitário.
O problema é que parte das instituições ampliou o acesso sem conseguir expandir na mesma velocidade estruturas de moradia, alimentação, saúde mental, acessibilidade e assistência financeira. Isso fez com que políticas antes tratadas como apoio complementar passassem a funcionar como condição básica para continuidade acadêmica de milhares de estudantes.
O novo ato convocado na UFRN revela justamente essa mudança: a permanência universitária deixou de ser debate periférico dentro das universidades públicas e passou a ocupar o centro da disputa sobre quem consegue, de fato, permanecer no ensino superior brasileiro.

































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