UFRN promove debate sobre avanço do neonazismo e discurso de ódio no Brasil
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realizará na próxima terça-feira (12) um debate voltado aos impactos do discurso de ódio, do extremismo e da expansão de grupos neonazistas no Brasil. O encontro integra o ciclo de extensão “Encontros Dialógicos Decoloniais: Vidas e Vozes que Importam” e acontecerá das 19h às 21h30 no Auditório 1 do Departamento de Comunicação Social (Decom), no campus central da universidade, em Natal.
O tema desta edição será “Mídias e Direitos Humanos: Discurso de Ódio, Extremismos e Neonazismo no Brasil”. A proposta é reunir pesquisadores, profissionais da comunicação e representantes da sociedade civil para discutir o crescimento de grupos extremistas no país e os efeitos dessas estruturas sobre a democracia, os direitos humanos e a circulação de informações nas plataformas digitais.
O evento ocorre em um momento em que autoridades brasileiras e organismos internacionais passaram a tratar o avanço do extremismo digital como problema de segurança pública, radicalização política e violência social organizada.
Universidade tenta discutir crescimento da radicalização digital
Segundo a organização, o debate será promovido pelo grupo de pesquisa DESCOM — Insurgências Decoloniais, Comunicação, Artes e Humanidades, vinculado ao Decom e ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da UFRN.
A proposta do encontro é analisar como o discurso de ódio circula nas redes digitais, de que maneira grupos extremistas utilizam plataformas online para recrutamento e quais mecanismos institucionais podem ser adotados para enfrentamento dessas práticas. A organização também pretende discutir os impactos do extremismo sobre jornalistas, minorias sociais e grupos historicamente vulneráveis.
A discussão acompanha uma preocupação crescente em universidades brasileiras diante da expansão de comunidades digitais associadas à misoginia, racismo, supremacismo branco e radicalização política violenta nos últimos anos.
Relatoria nacional criada em 2023 participará do encontro
Entre os convidados está o advogado Carlos Nicodemos, integrante do Movimento Nacional de Direitos Humanos e membro do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Ele coordena a Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo, criada em 2023 para monitorar o avanço dessas práticas no país.
Segundo a organização do evento, a relatoria atua na formulação de políticas públicas e no acompanhamento de situações relacionadas à violência motivada por raça, religião, gênero, orientação sexual e outros marcadores sociais frequentemente utilizados como alvo de grupos extremistas.
A presença da relatoria nacional amplia o caráter político e institucional do debate porque conecta a discussão acadêmica local a estratégias nacionais de monitoramento e enfrentamento ao extremismo.
Jornalistas e entidades de proteção à imprensa também participarão
Outra participante confirmada é a jornalista Isadora Morena, formada pela UFRN e articuladora regional da Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores. A iniciativa é coordenada pelo Instituto Vladimir Herzog em parceria com organizações da sociedade civil e entidades ligadas à defesa da liberdade de expressão.
Segundo a organização, a rede atua no acompanhamento de denúncias, formulação de estratégias de segurança e desenvolvimento de ações voltadas à proteção de profissionais da comunicação ameaçados em contextos de violência política e ataques digitais.
A inclusão do tema reforça uma preocupação crescente relacionada ao aumento de ataques virtuais, campanhas de intimidação e perseguição direcionadas a jornalistas, pesquisadores e comunicadores públicos em ambientes digitais radicalizados.
Debate ocorre em cenário de crescimento de grupos extremistas no país
Nos últimos anos, órgãos de segurança e pesquisadores brasileiros passaram a identificar crescimento de comunidades extremistas associadas ao neonazismo e ao supremacismo branco em plataformas digitais. Parte dessas estruturas utiliza redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns fechados para disseminação de conteúdo violento, recrutamento ideológico e articulação de ataques.
O avanço desse ambiente radicalizado também intensificou debates sobre limites da liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas digitais e capacidade do Estado de monitorar grupos potencialmente violentos sem ampliar mecanismos abusivos de vigilância.
Nesse contexto, universidades passaram a ocupar papel estratégico na produção de estudos e formulação de debates públicos sobre radicalização política, violência digital e circulação organizada de discurso de ódio.
Inscrições são gratuitas e abertas ao público externo
As inscrições para o encontro são gratuitas e podem ser realizadas por meio do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa) da UFRN. Segundo a organização, a atividade é aberta tanto para estudantes quanto para participantes externos interessados na discussão.
Criado em 2020, o ciclo “Encontros Dialógicos Decoloniais” reúne pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir temas contemporâneos sob perspectivas transdisciplinares, interseccionais e anticoloniais.
A realização do debate na UFRN reflete uma tentativa crescente das universidades brasileiras de tratar o avanço do extremismo não apenas como questão policial ou eleitoral, mas como fenômeno social conectado à comunicação digital, à polarização política e à deterioração do debate público nacional.

































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