No dia 28 de abril, data em que se celebra o Dia da Caatinga, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte assinou o decreto de criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras, uma área de 12.367,81 hectares de Caatinga, localizada nos municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, na região do Seridó. A criação da maior unidade de conservação da Caatinga no RN foi proposta por pesquisadores da UFRN, por meio do Projeto Caatinga Potiguar. A cerimônia de assinatura ocorreu durante a 1ª Conferência Estadual dos ODS do Rio Grande do Norte, realizada na sede do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema).

O Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Serra das Araras é voltado, principalmente, para a conservação da última população da ararinha-maracanã (Primolius maracana) no Rio Grande do Norte. Além de proteger essa espécie e diversas outras de aves, mamíferos, répteis e anfíbios, a nova unidade de conservação apresenta grande potencial para impulsionar o ecoturismo, a economia local e as pesquisas científicas nos três municípios do Seridó potiguar.
Os estudos para a concepção da proposta tiveram início há cerca de 12 anos, no âmbito do Projeto Caatinga Potiguar. Esse projeto de extensão, desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Ecologia (Decol) e do Departamento de Botânica e Zoologia (DBEZ), vinculados ao Centro de Biociências (CB) da UFRN, em parceria com o Idema, tinha como objetivo identificar áreas prioritárias para a conservação da Caatinga no RN. Durante a primeira oficina participativa do projeto, o então aluno de graduação em Biologia Damião Valdenor de Oliveira e o professor do Departamento de Botânica e Zoologia Mauro Pichorim, ambos pesquisadores de aves, propuseram que a região de ocorrência da ararinha-maracanã fosse considerada prioritária para conservação.

Após mais de três anos de estudos de campo, com a participação de professores, mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO/UFRN), confirmou-se que a área proposta é, de fato, uma das mais preservadas e biodiversas do estado. As informações sobre sua relevância foram incorporadas pelo Ministério do Meio Ambiente no processo de definição das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do Bioma Caatinga, coordenado pelos professores Eduardo Martins Venticinque e Carlos Roberto Fonseca, ambos do Departamento de Ecologia da UFRN. Por meio da Portaria nº 463, de 18 de dezembro de 2018, a área de ocorrência da ararinha-maracanã passou a ser considerada prioridade de conservação em nível nacional.

A proposta de criação da nova unidade de conservação ganhou apoio do Movimento Seridó Vivo, uma mobilização popular que defende o patrimônio natural e cultural da região. Com base em dados científicos, reconhecimento nacional e apoio popular, a ideia de criação do REVIS Serra das Araras foi consolidada no âmbito do Idema, sob a liderança de Ilton Araújo Soares, supervisor do Núcleo de Unidades de Conservação (NUC).
Para a criação da nova Unidade de Conservação, foram realizadas diversas audiências públicas participativas nos três municípios abrangidos pela REVIS, envolvendo proprietários de terra, povos tradicionais, pesquisadores, representantes do setor produtivo, agentes políticos, Ministério Público e outros atores sociais. Após amplos e produtivos debates, o polígono da REVIS Serra das Araras foi definido em sua forma final. Com mais de 12 mil hectares de território preservado, a área configura-se como a maior unidade de conservação da Caatinga no estado.

Durante a cerimônia de assinatura, Paulo Marinho, ex-aluno de graduação, mestrado e doutorado do PPGECO e participante do Projeto Caatinga Potiguar, ressaltou a importância da unidade não apenas para as espécies protegidas, mas também para a população local. “É hora de implementar essa área protegida e continuar trabalhando juntos, além de cobrar para que o refúgio se torne efetivo tanto para a conservação da biodiversidade quanto para as pessoas que vivem e atuam na proteção do território”, afirmou.
Segundo Carlos Roberto Fonseca, professor do Departamento de Ecologia (Decol) e integrante do Projeto Caatinga Potiguar, a criação da unidade representa mais um avanço ambiental impulsionado por pesquisadores e estudantes da UFRN. Há dois anos, o Santuário Ecológico da Praia da Pipa foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural por meio do Decreto Estadual nº 31.283/2022, iniciativa que também teve origem em pesquisas desenvolvidas no âmbito do Projeto Caatinga Potiguar. “Estes são apenas dois exemplos que demonstram que a pesquisa e o ensino de qualidade realizados nas universidades públicas geram impactos concretos para a sociedade”, conclui o professor.
Fonte: Agecom/UFRN

































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