Considerada uma das vozes mais emblemáticas do Seridó, Dodora Cardoso carrega em sua música a força da tradição, a poesia do sertão e uma presença de palco que há décadas conquista plateias em todo o Rio Grande do Norte. Nesta entrevista, ela fala sobre o início da carreira, suas influências, desafios e o que ainda sonha realizar.

JOLRN: Você nasceu no Seridó, uma região marcada por forte tradição cultural. De que maneira esse território moldou sua formação musical?

Dodora Cardoso: O Seridó sempre foi minha primeira escola musical. Cresci ouvindo cantadores, aboios, forró de raiz, os batuques das festas de rua, as filarmônicas… tudo isso formou meu ouvido antes mesmo de eu entender que seria cantora. O sertão tem um som próprio — o vento, o silêncio, a fé, as festas de padroeira — e esse universo aparece naturalmente na minha interpretação. Carrego o Seridó comigo em cada música que canto.
JOLRN: Como foi o início da sua trajetória profissional no Rio Grande do Norte?
Dodora Cardoso: Comecei cantando em festas tradicionais e pequenos eventos da região. Depois, fui convidada para me apresentar em Natal, e isso abriu portas importantes. No começo, não havia estrutura, era tudo na coragem e na paixão. Mas o público me acolheu, e aos poucos as rádios e os músicos do estado passaram a me conhecer. Foi um processo de muita persistência, sobretudo sendo mulher no ambiente musical da época.

JOLRN: Quais artistas e referências ajudaram a construir sua identidade vocal?
Dodora Cardoso: Eu cresci ouvindo Marinês, Clara Nunes, Elba Ramalho, Ângela Maria, além dos mestres da música nordestina, como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Essas vozes me ensinaram muito sobre força, verdade e interpretação. Mas também fui influenciada pelas vozes locais — aquelas que não estão nos discos, mas vivem nas feiras, nos terreiros, nas rodas de viola.

JOLRN: Você é conhecida por transitar entre o forró, a MPB regional e a música de raiz. Como você equilibra tradição e contemporaneidade?
Dodora Cardoso: Para mim, tradição não significa ficar parada no tempo. Eu respeito minhas raízes, mas deixo a música respirar novas formas. Gosto de arranjos atuais, colaborações com músicos mais jovens e experimentações. O importante é que o sentimento e a verdade continuem lá, intactos.

JOLRN: Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira no RN?
Dodora Cardoso: Tenho alguns marcos afetivos: cantar nas maiores festas do interior, dividir palco com artistas que sempre admirei, gravar meus primeiros discos e participar de projetos culturais do estado que valorizam a nossa música. Também guardo com muito carinho o reconhecimento do público, que sempre me recebeu de braços abertos.

JOLRN: O cenário musical potiguar mudou muito nos últimos anos. Como você enxerga esse momento?
Dodora Cardoso: O RN vive uma fase de grande efervescência. Há talentos incríveis surgindo no Seridó, na capital e no litoral. As redes sociais deram força a quem antes não tinha espaço. Mas também é um momento desafiador, porque a profissionalização ainda é um obstáculo para muitos artistas. Falta investimento contínuo em cultura, mas sobra criatividade.

JOLRN: Com 47 anos de carreira, o que ainda move Dodora Cardoso?
Dodora Cardoso: O amor pela música e pelo meu público. Enquanto eu tiver voz, vontade e emoção, vou seguir cantando. Minha missão é essa: celebrar o Nordeste, honrar meus compositores e tocar corações por onde eu passar.

JOLRN: Como você se mantém artisticamente ativa e inspirada?
Dodora Cardoso: A música é meu alimento diário. Faço questão de estudar, ouvir novos artistas, revisitar repertórios, conversar com músicos, participar de projetos culturais… Tudo isso me renova. E, claro, o público é minha maior inspiração. Quando recebo o carinho das pessoas, lembro por que comecei.

JOLRN: O que você ainda sonha realizar como artista?
Dodora Cardoso: Quero gravar novos projetos autorais, registrar mais das músicas que contam a história do Seridó e fazer parcerias com artistas de outras regiões do país. Também sonho em ver mais políticas culturais fortalecendo a música potiguar, porque o nosso estado tem um patrimônio enorme que merece ser valorizado.

JOLRN: Por fim, que mensagem você deixa para os novos talentos do interior do RN?
Dodora Cardoso: Que não desistam. A estrada é longa, mas a voz da terra é poderosa. Estudem, busquem apoio, valorizem suas raízes e sigam firmes. O Seridó sempre foi terra de gente forte — e a música é uma forma de mostrar essa força ao mundo.
*Por Rô Medeiros

SERVIÇO
Show Aniversário | Dodora Cardoso e Banda Corcel 2
Dia 12 de dezembro, das 18h as 22h
Av. Rodrigues Alves, 1004 – Tirol (Clube dos Radioamadores)
Ingressos e Mesas Limitadas com Beto: (84) 99685 -1971 e na bilheteria da Casa do Goiamum
Crédito das Fotos: Rogerio Vital; @luanatayze; Divulgação e Arquivo Pessoal/Dodora Cardoso
Fonte: Assessoria de Imprensa/MARIABOA






































































