A área da engorda da praia de Ponta Negra voltou a alagar na manhã desta sexta-feira (24), repetindo um padrão que já havia sido registrado desde a entrega da obra no início de 2025 . O episódio ocorreu durante fortes chuvas que atingiram Natal e provocaram acúmulo de água em diversos pontos da cidade. A recorrência transforma o evento em evidência de falha no funcionamento do sistema implantado.
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta laranja para a capital, com previsão de até 100 milímetros de chuva por dia e ventos de até 100 km/h . Esse nível de precipitação intensifica a pressão sobre a infraestrutura urbana.
A repetição do alagamento sob condições previsíveis indica que o problema não está apenas no volume de chuva, mas na capacidade da obra de responder a ele. O sistema entregue não absorve eventos para os quais deveria estar dimensionado.
ALAGAMENTO DEIXA DE SER EVENTO ISOLADO E SE TORNA PADRÃO DA OBRA
A formação de “espelhos d’água” na faixa de areia passou a ocorrer sempre que há chuvas de média ou grande intensidade desde a inauguração da engorda . O fenômeno deixou de ser pontual e passou a se repetir em diferentes episódios.
A própria Prefeitura classificou o problema como “situação prevista”, associando os alagamentos a chuvas acima de 40 milímetros . A justificativa desloca a causa para o evento climático, sem alterar o funcionamento da estrutura.
OBRA ENTREGUE COMO CONCLUÍDA VOLTA À ETAPA DE DRENAGEM
Dois dias antes do novo alagamento, o secretário de Planejamento anunciou que a prefeitura iniciará uma nova obra de drenagem na orla em até dois meses . A medida retoma uma etapa que já havia sido considerada finalizada.
Em 2024, a gestão municipal informou que a drenagem da engorda havia sido concluída com a instalação de 16 dissipadores ao longo da praia . A informação indicava encerramento da fase estrutural do projeto.
A necessidade de uma nova intervenção reabre o ciclo da obra. O que havia sido entregue como sistema completo retorna à condição de estrutura incompleta.
Esse movimento revela um padrão de execução em que etapas são formalmente encerradas antes de demonstrarem funcionamento pleno. A obra passa a operar por correções posteriores.
FALHA DE DRENAGEM AFETA USO DA PRAIA E DINÂMICA COSTEIRA
Os alagamentos impactam diretamente o uso da faixa de areia, afastam turistas e prejudicam trabalhadores que dependem da atividade local . O problema deixa de ser técnico e passa a atingir a economia da região.
Além disso, registros indicam que episódios anteriores de acúmulo de água contribuíram para a fragilização do aterro, especialmente na área próxima ao Morro do Careca . O efeito atinge a própria estabilidade da obra.
EXECUÇÃO DA OBRA PASSA A SER QUESTIONADA EM ÓRGÃO DE CONTROLE
A engorda da praia já é alvo de representação no Tribunal de Contas do Estado, que apura possíveis irregularidades na execução e nos aditivos contratuais . O processo inclui pedido de responsabilização de gestores envolvidos.
A denúncia aponta possíveis pagamentos em desconformidade com licenças ambientais e solicita ressarcimento ao erário municipal . O questionamento desloca o problema da esfera técnica para o campo institucional.
Se as falhas persistirem, a tendência é que a obra continue operando em ciclos de correção, com novas intervenções sendo incorporadas após a entrega. O resultado é a transformação de uma obra concluída em um sistema permanente de ajustes.


































![[VÍDEO] Motociclista morre após ser atingido por viatura na BR-304 em Mossoró](https://www.jolrn.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6085-360x180.png)






































![[VÍDEO] Motociclista morre após ser atingido por viatura na BR-304 em Mossoró](https://www.jolrn.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6085-120x86.png)


Comentários