A saúde mental de advogados e outros profissionais da área jurídica deixou de ser um tema restrito aos bastidores e passou a ocupar o centro do debate acadêmico e institucional. Pressão por resultados, prazos exíguos, conflitos constantes e insegurança profissional formam um ambiente propício ao estresse crônico, um quadro que impacta diretamente a vida pessoal, a qualidade do trabalho e até a tomada de decisões.
Esse cenário é analisado de forma aprofundada pela psicóloga e professora universitária Fátima Antunes, autora do livro Estresse em Advogados. A obra é resultado da primeira pesquisa quantitativa realizada no Brasil sobre saúde mental na advocacia, com participação de 702 advogados de diferentes regiões do país. O estudo revelou índices elevados de estresse, sintomas de ansiedade, queixas psicossomáticas e insatisfação profissional.
De acordo com Fátima Antunes, o relacionamento com clientes, a sobrecarga de trabalho e a pressão constante por desempenho aparecem como os principais fatores estressores da profissão. “O advogado é treinado para cuidar do problema do outro, mas raramente é estimulado a olhar para si. Muitos só procuram ajuda quando o sofrimento já compromete a saúde, as relações pessoais e a carreira”, observa a psicóloga.
A pesquisa também aponta um obstáculo cultural importante: o estigma em torno da busca por atendimento psicológico no meio jurídico. Mesmo diante de sintomas claros de esgotamento emocional, muitos profissionais resistem a procurar apoio especializado, por medo de parecerem frágeis ou incapazes.
Diante desse quadro, Fátima Antunes defende a ampliação de programas de atendimento psicológico voltados especificamente para advogados, além de ações preventivas em escritórios, universidades e instituições jurídicas. “Iniciativas como palestras, rodas de conversa, acompanhamento psicológico e educação emocional são caminhos para reduzir o adoecimento mental na categoria”, destaca Antunes.
A pauta ganha ainda mais relevância em um momento em que tribunais, escritórios e profissionais enfrentam transformações profundas no mundo do trabalho, com aumento da competitividade, do volume de demandas e da exposição emocional. “Ao jogar luz sobre a saúde mental na advocacia, o debate propõe não apenas o cuidado individual, mas também uma reflexão coletiva sobre os limites, as responsabilidades e a humanização do exercício do Direito no Brasil”, analisa.
Para a professora universitária, é urgente ampliar políticas e iniciativas de cuidado emocional voltadas à advocacia, como atendimento psicológico especializado, ações preventivas em escritórios, universidades e instituições jurídicas, além de espaços de escuta e acolhimento. “Falar de saúde mental na advocacia não é luxo nem moda. É uma necessidade. Estamos falando de pessoas que cuidam de decisões que afetam a vida de outras pessoas todos os dias”, conclui Fátima Antunes.
Imagem: Reprodução
Fonte: Assessoria de Comunicação








































































